quinta-feira, 26 de abril de 2018

Quinta das Fontainhas, nora de água

A limpeza de terrenos trouxe a descoberto uma nora antiga, existente na Quinta das Fontainhas, situada entre as Termas dos Cucos e o aqueduto de Torres Vedras.
 
O desenho abaixo apresenta parte da casa senhorial, ou o que resta dela. Do lado direito a estrutura que albergava a antiga nora.
 
 
 O desenho que se segue, tenta ilustrar parte da estrutura existente que incluindo o engenho.
 
Há poucos dias nada disto era visível, cheio de mato que tapava integralmente a estrutura.
 
Tudo indica que terá sido construída no séc. XVIII. Pelo que se sabe, é única no concelho.
Fica o registo, na esperança de um futuro mais risonho.
 
 

sexta-feira, 20 de abril de 2018

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Desenhar nos Cucos (Adiado)


No próximo Sábado temos encontro informal de tarde, vamos às antigas Termas dos Cucos, a 1km de Torres Vedras
O ponto de encontro é no jardim, às 14h.
Não necessita de Inscrição, basta aparecer com motivação ;)

Depois, não temos limites, podemos ficar a desenhar as antigas termas ou fazer o percurso junto ao rio até às azenhas em ruínas.

Junto ao jardim temos o edifício termal, o pavilhão do antigo casino, fonte termal e inicio do percurso junto ao rio.

Em meados do séc. XIX, um comerciante de lã e sedas resolveu mudar de ramo e investir nestas terras explorando as fontes com águas medicinais, ao inicio com a construção de algumas barracas de madeira, mais tarde, o sobrinho José Gonçalves Dias Neiva mandou construir o Edifício Termal em 1890, sendo inauguradas em 15 de Maio de 1893.
O plano urbanístico, da autoria do Eng. António Jorge Freire, previa a construção de 40 moradias, destas apenas foram construídas duas vivendas, uma de cada lado da avenida que dá acesso às termas (Dª Feliciana em 1895 e Dª Maria Neiva em 1896). O casino foi construído em 1896. As termas possuem ainda uma capela do séc. XIX dedicada a N.Sra. da Saúde.

Para quem gosta de explorar, o caminho junto ao rio possui cerca de 1.5 km e além das antigas azenhas, a paisagem é muito interessante, repleta de formações rochosas e vegetação local, o percurso vai até à linha de caminho de ferro, onde a ponte férrea atravessa o rio e se podem ver os três túneis construídos em 1885 e 1886, que permitirão a inauguração do serviço de passageiros de comboio de Torres Vedras para Lisboa, em Maio de 1887.

Uma tarde descontraída em ambiente natural, com muito por explorar.
Vamos desenhar!

Evento FB em Link

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Benjamim

Hoje a cidade de Torres Vedras ficou mais pobre, tendo perdido uma personalidade marcante da sua identidade - Benjamim.

Quem quisesse encontrá-lo, bastava ir até à Rua 9 de Abril e lá estava ele, acompanhado pelo trolley e pelos seus amigos pombos, aconchegado pelo seu "xaile" a ouvir a música que saía da sua telefonia. Aquela rua era a sua casa e sem ele nunca mais será a mesma...e nós também não. Descansa em paz Benjamim.




sexta-feira, 13 de abril de 2018

Física | 93 anos

Parabéns Física |  Obrigado Física | Rumo aos 100

5 anos de gratidão. Se eu soubesse que era dia de aniversário, tinha caprichado mais no desenho. 





quarta-feira, 11 de abril de 2018

Desenhar moinhos

E não houve chuva que impedisse os Oestesketchers de riscar e aguarelar copiosamente moinhos de vento!
Foi sábado, 7 de Abril,  tal como testemunham os vários posts que já rolam aqui no blog. Portanto,  não  me alongo mais e passo aos riscos...
 O primeiro,  comodamente sentada ao abrigo das bátegas de água debaixo do capelo do mais velho dos moinhos dos Constantinos, herança da família primorosamente recuperado!

 O segundo,  um rabisco rápido na saca de farinha,  que ficou de recordação para o Sr. Joaquim Constantino,  junto com os rabiscos dos outros sketchers.

 O terceiro,  no moinho da Várzea  em Caixeiros.  Moinho construído em 1836,  preservado pela Junta de freguesia. A paragem de autocarro do outro lado da rua,  abrigou-me da  chuva e a mais duas sketchers. Mas houve  belas abertas!

 Por último,  a azenha de Sta. Cruz. Um agradecimento especial ao André Duarte Baptista que congemina  frequentemente encontros sketcheiros fantásticos!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Dia Nacional dos Moinhos | parte da manhã

Desafiei os Oeste Sketchers a comemorar o Dia Nacional dos Moinhos, com um encontro de desenho em Torres Vedras. Desafio aceite, roteiro desenhado: Bordinheira, Caixeiros, Azenha de Santa Cruz. Quando saí de casa, aproveitei para treinar e começar o dia com esta paisagem, uma velha conhecida, toda ela marcada por moinhos tradicionais e industriais (energia eólica).

Aproveito para agradecer aos coordenadores (Ana Ramos, Pedro Alves e Bruno Vieira), por esta resposta, mas sobretudo pelo excelente trabalho que têm desenvolvido.


Junto às Estação de Serviço BP Casalinhos de Alfaiata (ilustração do autor). 

10h - os desenhadores vão chegando. Algumas desistências devido à chuva, mas tivemos umas estreias no grupo, a Susana Coelho membro do grupo Évora Sketchers e uma estreia absoluta no desenho, a Carla Inácio de Torres Vedras. O primeiro a chegar foi o Sr. Joaquim Constantino, mais conhecido por Quim, moleiro e nosso anfitrião. A sua casa fica junto ao moinho e abaixo da casa fica a moagem. O quotidiano deste moleiro  divide-se essencialmente por estes três espaços. O seu patrão é o vento, pois é ele quem lhe dá ordens e sustento. Apesar de hoje ter a sua moagem mecanizada, o moinho continua a moer cereais de forma tradicional. A sua produção divide-se entre o artesanal e o industrial, mas o que não se divide é a qualidade da farinha - única e de excelência.  O Sr. Joaquim é a terceira geração de moleiros, tudo começou com o seu avô, ainda no séc. XIX, com o Moinho Frade, que actualmente pertence a uma prima. O seu pai continuou com a profissão e no ano de 1946 construiu o segundo moinho do Casal Moinho Frade, o agora conhecido "Moinho do Constantino".

 Sábado costuma ser um dia agitado, mas a generosidade deste moleiro levou-o a reservar a manhã para nós.  Colocou as velas a jeito, mas não as soltou, devido ao mau tempo. Apenas para a fotografia... ou melhor, apenas para o desenho.



 

 




 



   (Fotografias do autor)
A chuva demorou a chegar, até por que "ela anda ali mais para o lado da Freiria. Lá está negro, eles andam a rezar pouco", rematava assim o Sr. Joaquim com a sua risada que tão bem o caracteriza. Aproveitei para fazer mais um desenho.




À direita o original Moinho do Constantino e à esquerda uma réplica feita pelo Sr. Joaquim (ilustração do autor).

Afinal não é só na Freiria que se reza pouco, na Bordinheira também. A chuva chegou, mas em forma de aguaceiros rápidos. Os moinhos e a moagem transformaram-se em abrigos. O excelente estado de conservação em que se encontram, conferiram todo o conforto necessário para uma boa manhã de desenho. As abertas eram aproveitadas por alguns. Outros transformaram a moagem num verdadeiro atelier, e ainda houve quem preferisse o automóvel.


´




(Fotografias do autor)

E outros, como eu, aproveitaram para saber o que é "habitar" um moinho. Instalei-me no 3º piso, junto ao capelo. O som da chuva a bater no capelo é música para os ouvidos. A visão perde-se perante tantos pormenores - madeira, pedra, metal, cordas... Tanto para desenhar, tanto para Ver.  Um lugar mágico por um lado, mas por outro lado leva-nos a imaginar a vida dura que os moleiros tinham.

Desenho feito no 3º piso do moinho Frade (ilustração do autor).

No final, lancei o desafio de deixarmos com o Sr. Joaquim uma lembrança da nossa passagem. Pegar numa saca de farinha nova e personaliza-la com um desenho de cada desenhador. Aceite e superado.


(Fotografias do autor)


No momento da habitual partilha e foto de grupo, tivemos o privilégio de conhecer o moleiro mais antigo da freguesia da Ventosa, o Sr. Benedito Ferreira Carinho, que este ano celebrará 90 anos de vida, quase toda dedicada aos moinhos. Nunca teve outra profissão, foi amor para a toda a vida e isso percebe-se no brilho dos olhos, quando fala sobre os moinhos e os moleiros. Imaginem só as histórias que ele tem para contar. Combinámos um encontro, para conhecer o seu velhinho moinho do Cortiço, mas sobretudo para ouvir as histórias que tem para partilhar. 

O seu moinho, localizado em Bonabal, está abandonado desde a década de 1970, quando "uma espécie de tufão passou por lá e levou o capelo. Foi uma dor de alma, um dos dias mais tristes da minha vida, nem sabia o que fazer. Mas fiz-me ao caminho e construí uma pequena moagem e continuei a trabalhar até não poder mais. Hoje é o meu filho que segue com o negócio, mas o moinho nunca mais foi recuperado, continua lá em ruína, é uma tristeza. Mas custa muito dinheiro arranjar aquilo..." (Sr. Benedito)






Enquanto conversava com Sr. Benedito, saíram uns registos para memória futura.

domingo, 8 de abril de 2018

Dia Nacional do Moinho com os Oeste Sketchers


O dia prometia tudo, belas paisagens, moinhos, engenhos, histórias, pão com chouriço, desenhos, aguarelas, chuva, frio, sol e calor. Começamos na Bordinheira, perto de Torres Vedras, onde se encontram dois moinhos restaurados e em funcionamento no Casal do Moinho do Frade, o nosso anfitrião foi o Sr. Joaquim Constantino que nos recebeu muito bem, partilhou connosco o seu saber sobre moinhos, sobre os ventos e sobre o tempo.


Mesmo com alguma chuva ao fim da manhã havia sketchers por todo o lado a desenhar, dentro dos carros, dentro dos moinhos e no armazém da farinha, onde tínhamos um autêntico atelier de pintura, uma manhã muito produtiva.


Deixamos a nossa marca numa saca de farinha como forma de agradecimento e partilhamos desenhos.






Quando o céu resolveu libertar toda a água do dia, fomos almoçar ao moinho dos Caixeiros, onde o pão com chouriço acabado de fazer libertava aquele cheirinho indescritível que estimula o apetite, enquanto almoçávamos e partilhávamos desenhos ainda deu para mais alguns registos deste moinho que tem a particularidade, provavelmente única nesta região, de se encontrar numa várzea.


Depois de algum tempo a desenhar com um sol escaldante, fomos até Santa Cruz, desenhar na Azenha, um moinho de água reabilitado que atualmente funciona como Centro Interpretativo.





Antes de terminarmos e iniciarmos viagem, fizemos uma pequena tertúlia com lanche. 

Agradecimentos ao Sr. Joaquim Constantino da Bordinheira e à Junta de Freguesia da Silveira.

  (Fotos: Augusto Pinheiro, André Baptista e Bruno Vieira)

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Silveira, entre o campo e o mar

A silveira é uma freguesia do município de Torres Vedras, cujo território se divide "entre o campo e o litoral". Ultimamente tenho dedicado parte do meu tempo a conhecer melhor a freguesia onde vivo desde sempre. Pensamos que conhecemos, mas quando começamos a olhar com olhos de ver, percebemos que há uma imensidão de lugares a explorar.
 
Na passada 6ª feira, feriado, fiz uma caminhada, que me habituei a fazer desde muito pequeno, partindo da casa dos meus avós e pais (Boavista), até ao Alto da Vela.
 
A primeira paragem foi o Casal dos Corvos, ou pelo menos o que resta dele. Este casal pertence à família do meu avô há pelo menos 400 anos. Hoje, já não temos qualquer ligação, resta-nos a ligação afectiva. Ver o estado em que se encontra deixa-nos frustrados. Restam-nos as memórias. O poço de água, onde a minha tia-avó Germana tirava água para regar os seus belos jardins e enchia o tanque para lavar a roupa. O poço era um verdadeiro centro comunitário, uma verdadeira festa. Nos dias de calor o tanque transformava-se em piscina. Morreu a tia-avó, morreram as flores, ficam as memórias.
O Curral das ovelhas do tio-avô Joaquim Gigante está à venda. A ruína tomou conta dele. Em tempos foi abrigo de um dos maiores rebanhos da freguesia, cerca de 100 ovelhas e 20 cabras. Em tempos representava vida, hoje a morte, a morte da pastorícia, mas pior que isso, a morte dos últimos pastores do Casal dos Corvos: Joaquim e Germana.
 
 
O Casal dos Corvos, para além do casario tinha um conjunto de terras que se estendia até ao Alto da Vela. As terras também têm nome: Terra da Vinha; Rodelo; Cabeço das Mamas; Poço das Vacas... Parte dessas terras ainda se mantém na família, onde o os meus avós têm um pequeno casal com animais e hortas. A chuva floriu os campos, com cores de uma beleza única e inconfundível. A memória leva-me a viajar no tempo, o tempo em que eu vinha com os meus primos apanhar a espiga, o tempo em que vínhamos brincar por entre os campos de trigo, o tempo das vindimas, o tempo da apanha da batata e o almoço comunitário na fazenda entre proprietários, família, amigos e trabalhadores.
 
 
Com a idade íamos ganhando a confiança dos nosso pais e avós e íamos "conquistando o nosso território". O céu era o limite, neste caso era o Alto da Vela o nosso fruto proibido, pela distância e pelo perigo das arribas. Uma verdadeira aventura. 
 
 
 
Não vos canso mais com esta minha viagem nostálgica.